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Saudade retroativa

Saudade retroativa

 

Hoje eu acordei assim, com uma saudade retroativa.

Aquela saudade que a gente guarda nalgum canto bem guardado da gente, meio que tentando adiá-la para não se sabe quando.

Que a gente encolhe, dobra em quatro e ensaca a vácuo, num saco preto, para não mofar.

Que a gente espreme, comprime e sela para não soltar.

Mas daí, de repente, num rompante sem razão, a saudade vaza.

A saudade reflui, escoa como fio de azeite, translúcida, incontestável, evidente, depositando uma poça viva de um vazio esquecido na gente.

Oras, a saudade existia já. Porque se estranha?

E a saudade forma um rio. Um rio sem regras, sem beiradas, orlas ou raias, na gente. O rio transborda e a gente fica assim – alagado, aguacento, ensopado – esperando-o retomar seu ciclo natural.

E nesse enquanto (…) nesse enquanto a gente sente. A saudade.

 

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Giovana Camargo

Sou a Giovana, jornalista de pescoço comprido, emotiva e pretendente à trapezista. Choro em média duas vezes por semana, de filme, saudades dos meus sobrinhos e de qualquer coisa, quando na TPM. Como informação útil e inútil no café da manhã, almoço e jantar. Dormindo sonho com elas do avesso, de ponta cabeça, em prosa e poesia.

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